Quando eu era criança e brincava
de boneca, eu não imaginava quem, no futuro, poderia ser o pai da minha boneca
de verdade. E quando brincava de casinha, também não fazia idéia de quem iria
dividir a casinha comigo. Quando eu era criança, me imaginava casando em uma
praia (e desisti dessa idéia), mas não pensava em quem estaria ao meu lado.
Aos poucos fui crescendo,
e fui observando coisas que aconteciam. Vi meus avós, após muitos anos, andarem
de mãos dadas. Meu avô mal conseguia se cuidar, mas fazia questão de cuidar da
pessoa que estava ao lado dele. Vi-os comemorando muitos e muitos anos de
casados, e eles continuavam com o mesmo brilho nos olhos, acredito que o mesmo
brilho de quando se conheceram. E eu achava aquilo tão lindo, mas ao mesmo
tempo raro. Não achava que aquilo pudesse acontecer comigo.
Quando eu era criança, eu
nunca imaginei que iria conhecer alguém que quisesse dividir todas as coisas
comigo, sejam elas boas ou ruins. Que se importasse tanto. Que me ligasse,
mandasse um sms ou até mesmo saísse em um dia de chuva e viesse até minha casa
pra saber se aquela maldita TPM passou, se eu ainda estava brava e se a tal
cólica ainda estava incomodando. Alguém que competisse comigo, mas torcesse por
mim (e eu por ele). Que notasse a cor diferente do esmalte, soubesse o chocolate
preferido, e pedisse mil desculpas por não ter notado o novo corte de cabelo
que nem tinha mudado tanto. Alguém que eu olhasse pela primeira vez, e sentisse
que aquilo era verdadeiro. Alguém com quem eu imaginasse todas as coisas que
aconteceriam nas nossas vidas. Quando eu era criança, eu nunca imaginei que
você seria a resposta para todas essas não-imaginações.
Feliz mais um mês. E eu
te amo de verdade.
Polyana Lima











