quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Quando não estou sorrindo

‎"Viver a dois nunca significa que cada um fica com a metade. É preciso se revezar para dar mais do que se recebe. Não se trata de aceitar quando o outro quer jantar em casa em vez de sair, ou decidir quem vai receber a massagem com óleo de calêndula certa noite. Há épocas na vida de um casal que funcionam, acho, de certa forma um pouco parecida com uma ronda noturna. Um dos dois fica de guarda, muitas vezes durante um longo tempo, proporcionando a serenidade necessária para o outro fazer alguma coisa. Em geral, essa coisa é árdua e cheia de dificuldades. Um dos dois entra na escuridão enquanto o outro fica de fora, segurando a lua no céu."

Marlena de Blasi - Mil dias em Veneza



“E com o tempo a gente percebe, que a mesma planta que nos dá as rosas, nós dá também os espinhos. A minha luta é poder lidar com eles, sem me ferir e não ferir você. Sei que a beleza das flores fará valer apena a dor dos arranhões dos espinhos.
Eu queria poder escrever só coisas boas, felizes, mas nem sempre estou assim. Ninguém consegue ser feliz o tempo todo. E ultimamente as coisas não estão muito claras na minha cabeça. Parece que um furacão passou por dentro dela. O engraçado é que no fundo, no fundo, eu sempre tive esse desejo louco: Passar por uma crise no namoro. Eu queria que o nosso amor passasse pela prova do desentendimento; se nós superássemos essa parada juntos, eu teria certeza de que esse sentimento que me invade o tempo inteiro é realmente o tal amor. Por que gostar de alguém que nos corresponde, que nos completa, que está sempre presente, é muito fácil, é natural! Amor mesmo é quando aquela pessoa te decepciona e mesmo assim você continua acreditando nela. E, nesses últimos dias, esse seu jeito torto de me amar tem me machucado bastante. E é isso que eu sinto: amor e uma espécie desconhecida de ódio, ao mesmo tempo. Vontade de te jogar uma pedrinha e me atirar na frente dela pra salvar você. Não entendo isso da vida: quem mais a gente ama, mais nos machuca, esse acesso livre que você tem ao meu coração me torna tão vulnerável. Sinto como se houvesse uma neblina bem na frente do meu caminho; eu não consigo prever o que está por vir, mas não parece ser calmo, acho que tenho medo, mas não é por isso que eu vou deixar de seguir em frente. Queria que você percebesse que a cada mensagem não respondida, a cada chamada que você não me atende, que a cada pergunta que você não me responde, a cada dia que deveria estar com você, mas que você não quis, você faz com que eu fique triste, que a gente se afaste, você perde vários pontinhos na nossa caderneta. Um namoro é um compromisso, a gente tem que abrir mão de certas coisas pelo outro, ao menos perceber quando ele não está bem e se esforçar para consertar isso, essas coisas não são apenas uma questão de compromisso, isso é amor. Não consigo entender alguém que me ama e não se importa de me ver por perto, alguém que me ama e não sente falta de falar comigo, alguém que não tem tempo para estar com quem se ama e quando pode estar, prefere passar três dias dormindo. Eu não entendo, não acho normal e não gosto disso. Quero acreditar que isso deve ser uma fase sua, que vamos superá-la. Conversar com você, te falar todas essas coisas não iriam mudar nada. Ultimamente você só me entende mais ou menos e nunca se entende. Quero passar desse trecho, quero te ver lá na frente, sorrindo. Mas é só o que eu quero! Ninguém sabe o que será. O que será... O que será?”
Eu escrevi esse texto quando estava triste com a gente, conversamos, nos entendemos, mas voltei a ficar triste de novo. Talvez pelo mesmo motivo, ou por causa de algumas lacunas que ficaram abertas. Coisas tão simples que resolveríamos em uns cinco minutos. Deve ser também (claro que é) por causa da gente. Somos tão parecidos em tantas coisas, mas temos muita coisa de diferente também. Enquanto você me diz ser fria, acho que tenho lavas de vulcão correndo por minhas veias. Você gosta de ficar sozinha, já eu necessito estar rodeado das pessoas que amo, já me basta a solidão do ônibus que pego pra casa, os minutos do banho e os que gasto em minha cama antes de dormir. Eu fico chateado com tanta coisinha! :/ Mas sei que isso só acontece quando não estou com você por perto. Preciso de você. Sinto falta do seu cheiro, do teu abraço, do teu beijo, do seu corpo. Sinto falta de te olhar bem de perto, de te beijar sem pressa, sentir sua respiração, ver seus olhinhos fechando, ouvir seu coração batendo em seu peito sobre o meu. Sinto sua falta, mas parece – devido suas ações – que você não sente a minha. Eu faço tudo para estar com você qualquer minuto a mais, e você faz muito pouco. Eu não entendo, preciso de mais tempo com você, tempo pra gente. Queria ser como você, diminuir meu ritmo, ser mais calmo, mais frio, mas não consigo, ficamos dois estranhos. Falta alguma coisa, uma parte, falta eu. E falta mais você. Eu sei que é amor o quê sentimos. Que você é a garota da minha vida, é só estar perto de você que encontrarei essas respostas, mas agora, talvez culpa de meus próprios defeitos estou triste.
Talvez eu só queira te dizer que dessa vez não é como das outras vezes, agora é mais forte, mais triste e não acredito que estou exagerando. Talvez eu só queira te dizer que estou cansado de segurar a lua no céu. Não estou suportando mais. Talvez você ache que eu nunca a segurei, se não fizermos nada ela cairá sobre nós. Segura ela um pouco pra mim?


Ismael César